: : MALEITAS/ANÁLISES : : T : : . |
TAAKE - Noregs Vaapen / 2011
Numa fase em que o Black Metal enquistou ou degenerou para metástases Drone, onde só muita pachorra ou uma necessidade básica em se sentir actualizado com as novas tendências, ou hypes se preferirem, pode justificar a existência de um movimento que, na realidade, é baço e aborrecido de morte, poucas são as bandas que ainda se podem orgulhar de serem minimamente interessantes.
Dentro do género mais convencional, os Taake, ou melhor Hoest, vão espalhando densas baforadas de nacionalismo sob a forma de Black and Roll, recorrendo a linhas de guitarra competentes, atmosferas sinistras e melodias sempre marcantes. Secundado por músicos de valor, muitas vezes efémeros e pouco estáveis no lugar, desta feita foram passando pelo estúdio nomes consensuais como Nocturno Culto, Demonaz ou Attila Csihar, entre muitos outros, complementando da melhor forma a presença misantrópica do músico norueguês. Num universo já mais do que escrito e interiorizado, o banjo presente em «Myr» é um manancial de criatividade que, por si só, já vale muito mais do que tudo o resto que ainda se pode extrair de dentro de um estilo inapelavelmente moribundo. Mantendo a cadência de 3 anos de intervalo entre álbuns, vai ser complicado aguentar tamanha espera pela falta de alternativas. Out-11
[ 79 / 100 ] |
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TÝR - The Lay of Thrym / 2011
Percorrendo um caminho cada vez mais acessível e directo, os nórdicos Tyr chegam ao sexto trabalho de originais com uma postura algo regressiva, reconhecendo que o anterior «By the Light of the Northern Star» foi talvez o mais próximo que estiveram dos campos de batalha mainstream. Embora a primeira fase deste novo registo faça questão em preterir aquela costela folclórica e pagã com que sempre nos brindaram, a certa altura «The Lay of Thrym» recupera as atmosferas presentes em álbuns como «Ragnarok» e «Eric the Red», com memoráveis melodias executadas por um quarteto que se vai mantendo estável desde a sua formação.
Mesmo deambulando entre estruturas progressivas com um conteúdo a roçar fortemente os terrenos do Power Metal, com sonoridades mais entranháveis do que nunca, as passagens mais épicas, os coros sobrepostos e os dinâmicos arranjos orquestrais, aliados a um conteúdo lírico sempre voltado para a mitologia nórdica, agarram os Tyr a um passado, construído à custa de grande originalidade e valor.
Capazes assim de chegar a audiências mais vastas, embora aqui ou ali se sinta a falta de um hino apetecível, Heri Joensen mantém-se como a pedra basilar da equação, através de vocalizações mais Heavy e uma atitude de autêntico bardo. Jul-11
[ 78 / 100 ] |
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TARANTULA - Spiral of Fear / 2010
Os Tarantula são os percursores do movimento underground nacional, não só por terem sido a primeira banda claramente Heavy Metal portuguesa a gravar um disco, mas também pela quantidade de lançamentos saídos dos Rec‘n’Roll Studios e das centenas de músicos que ajudaram a formar. Mantendo a formação desde o longínquo «Freedom’s Call» de 1995, cinco anos após aquele que considero ser o lançamento mais equilibrado e bem gravado do quarteto liderado pelos irmãos Barros, coincidente com o facto de ter sido das poucas vezes que abdicaram da auto-produção e gravação, o grupo regressa com o seu Metal melódico, um som bem orientado para o AOR e com um desempenho técnico exemplar, por parte de todos os seus membros.
Os erros antigos ao nível da construção dos temas felizmente já não são tão vincados, embora seja sintomático verificar que é mesmo com a “simples canção” (parafraseando a própria banda) com que termina «Spiral of Fear», que se atingem os resultados mais satisfatórios ao nível de dinâmica, num interessante disco no geral, que perdura com a insistência. Ainda assim, ficamos à espera de um álbum repleto de temas eficazes, em detrimento de algumas exibições de virtuosismo, que por vezes chegam a ser aborrecidas. Ganhariam imenso com isso. Dez-10
[ 77 / 100 ] |
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TRIPTYKON - Eparistera Daimones / 2010
Se o regresso ao activo dos Celtic Frost em 2001 se revelou uma odisseia, a banda suíça rapidamente se encarregou em terminar a sua actividade, não sobrevivendo às divergências internas entre Thomas Fisher e Martin Eric Ain, parceiros desde os tempos dos Hellhammer. Após a desintegração, Tom cria de imediato os Triptykon para dar continuidade ao aclamado trabalho resultante de «Monotheist».
Recorrendo a um conjunto de temas plenos de groove e poderosos riffs, construídos gradualmente à volta de estruturas circulares, o som de «Eparistera Daimones» progride de forma pausada numa combinação estilística que varre quase todos os géneros da música extrema, extravasando em muito a ligeireza de uma etiqueta Goth / Doom. Com algumas malhas provenientes da fase Celtic Frost, o abuso de passagens monolíticas, mórbidas e obscuras e um artwork que volta a recorrer ao conceituado HR Giger, transformam-se de imediato em momentos de pura nostalgia enquanto o destaque dado às vozes femininas e a instrumentos menos convencionais, como o piano e o violino, incutem a esta obra ambiências mais melódicas e enfatizam os devaneios experimentais. Pela sua dimensão e grandiosidade, o impacto inicial poderá tornar-se demasiado penoso mas o tempo dar-lhe-á o seu verdadeiro sentido. Abr-10
[ 87 / 100 ] |
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TÝR - By the Light of the Northern Star / 2009
Se uma das virtudes que pode ser atribuída aos Týr é terem posto parte da comunidade metálica a olhar para o mapa, outra reside no seu som único que, ao fim de poucos acordes, facilmente consegue ser identificado.
Neste 5º trabalho que praticamente não deixa arrefecer o anterior «Land», a banda liderada por Henri Joensen regressa com as já tradicionais melodias locais, superstições ancestrais, lendas pagãs e mitologia guerreira. «By the Light of the Northern Star» é, no entanto, mais directo, rápido, curto e menos progressivo quando comparado com o que fizeram até à data e embora essa aparente simplicidade não elimine de forma alguma a envolvência nativa que rodeia o quarteto nórdico, o espaço dedicado às guitarras cresce em detrimento do carácter mais épico. Mesmo assim, não faltam os coros heróicos, os harmoniosos devaneios instrumentais envoltos em verdadeiros toques de classe e as aderentes melodias Viking que vão desaguar em enérgicos cânticos dedicados à vitória final.
Gravado praticamente em casa, este registo ganha dimensão internacional graças à mistura de Jacob Hansen e ao master final de Mika Jussila, apesar de se notar a falta daqueles hinos que pululavam as entranhas de «Ragnarok». Jun-09
[ 75 / 100 ] |
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THEE ORAKLE - Metaphortime / 2009
Envolto em atmosferas milenares e ambientes afro-orientais que emanam a cada espira deste primeiro álbum dos Thee Orakle, a química é empolada pela sonoridade do Buzuki - guitarra tradicional grega - de Yossi Sassi-Sa'aron, o guitarrista dos israelitas Orphaned Land, através de um bom apanhado de samples e ainda pela contribuição de 2 músicos da Escola Superior de Educação do Porto e as suas incursões de violino e flauta transversal, no encerramento desta obra conceptual.
Recorrendo ao cada vez mais frequentado UltraSoundStudios, o colectivo transmontano agora com Daniel Almeida no baixo, vai efectuando uma viagem virtual, bem ilustrada pelo trabalho gráfico da Phobos Anomaly, de uma forma bem mais agressiva e complexa que a percorrida no EP «Secret». Mesmo com um tema direccionado para as airplay charts, onde Mika desafia Daniel Cardoso num idílico dueto, este disco é um autêntico grower, suportado num fantástico trabalho de guitarras, complementado com inteligentes passagens de teclados e pelo som acústico bem sacado à bateria de Fred. A voz rasgada de Pedrão por vezes vagueia de forma errática mas a maior presença dada a Mika funciona como um fiel ponto de equilíbrio.
«Metaphortime» é um neologismo sonante que merece mesmo ser revelado. Mar-09
[ 87 / 100 ] |
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TAAKE - Taake / 2008
Indo beber influências aos primórdios do Black Metal norueguês e a alguma da música extrema dos anos 80’, os Taake - tributo ao nevoeiro que emana das 7 montanhas que cercam a região Bergen – vão expandindo a doença lançando uma série de demos, EP’s e splits com bandas tão obscuras como Amok, Vidsyn, Norwegian Evil, Urgehal ou Gigantomachy, chegando ao topo da criatividade na trilogia «Nattestid… Bjoergvin… Doedskvad», um manual de sentimentos nacionalistas, discursado em norueguês arcaico e impresso em caracteres runicos.
O álbum homónimo mantém-se dividido nas 7 míticas partes embora, desta feita, os temas tenham um nome associado. Sem comprometer o ambiente pretendido, a produção revela-se agora mais encorpada, potenciando intensidade e dinamismo a todo o disco. Com nova série de mexidas no line-up, até porque entretanto o guitarrista Corvus Corax se encontra detido, Hoest afasta-se dos seus variados projectos, entre os quais os Ragnarok e os franceses Vendigeit, concentrando-se numa atitude de misantropia sobre odes que convidam ao suicídio, envoltas em mística local. Húmidos espectros e ventos cortantes, varrem cada fiorde e escarpa litoral, criando uma sensação de permanente desconforto e gélida melancolia. Nov-08
[ 85 / 100 ] |
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