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POWERWOLF - Blood of the Saints / 2011
A cada registo, os Powerwolf vão criando uma aura de perversidade que invade o imaginário religioso por onde vão deambulando de forma sarcástica, à custa de canções irresistíveis, com um enorme potencial para serem debitadas ao vivo. Neste 4º álbum, Attila Dorn domina as hostilidades, graças à sua poderosa capacidade vocal de grande amplitude, um cicerone que nos guia às catacumbas do horror e cuja presença lidera a restante alcateia pelos claustros desta aventura. Instrumentalmente, a componente Power Metal é mais agressiva que a praticada pela maioria das bandas do velho continente, tendo como base uma série de riffs e melodias de cortar a respiração. O órgão, gravado na igreja francesa de St. Barbara de Crusnes, incute-lhes um conteúdo litúrgico e gótico, sendo os coros, clássicos ou não, outro dos pontos altos de cada tema, onde se atinge o reclamado clímax espiritual, ajudando a construção de hinos dignos de serem apresentados em qualquer cerimónia macabra. As misturas finais, a cargo de Fredrik Nordström, trazem a este disco a magnitude sonora pretendida, com a edição em digipack a incluir algumas das malhas mais emblemáticas da quadrilha protagonizadas por uma orquestra em formato sinfónico, revelando a tal faceta clássica que a versão standard já deixa antever. Set-11
[ 84 / 100 ] |
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PRIMORDIAL - Redemption at the Puritan's Hand / 2011
Esbatidas as fronteiras entre os mais diversos estilos que se podem encontrar nos registos recentes dos Primordial, cada passagem ostenta uma intensidade dramática extraordinária que presentemente não tem rival dentro do universo da música mais extrema. Valendo-se de temas densos que transportam a gélida brisa marinha que banha a costa atlântica para dentro das ambiências e paisagens bucólicas da Irlanda, Alan “Nemtheanga” e seus pares fazem-se valer da paixão que empregam a cada instante, envolvendo a audiência no resultado sonoro que se esvai a cada espira. Ao sétimo álbum, os Primordial apresentam-se cada vez mais acutilantes, não porque a sua música se tornou mais letal ou agressiva, como nos tempos em que deambulavam algures pelos meandros do Black/ Folk mais tradicional, mas porque actualmente a banda extravasa, de uma forma ainda mais arrastada, melancólica e sentimental, uma sonoridade superior em termos emotivos. Em média, cada malha de «Redemption at the Puritan’s Hand» supera os 8 minutos de duração, algo que lhe proporciona um carácter místico e duradouro só ao alcance das grandes obras, revelando-se em malhas que seguramente não deverão falhar nos, cada vez mais geniais, concertos efectuados pelo colectivo celta. Mai-11
[ 91 / 100 ] |
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PENTAGRAM - Last Rites / 2011
O percurso dos norte-americanos Pentagram sempre foi sinuoso e repleto de fases menos profícuas, não só pela inconstância de line-up, como pelos problemas de dependência sentidos por Bobby Liebling, um dos pilares desta autêntica instituição ao qual o Heavy/ Doom muito deve. Com novo regresso de Victor Griffin ao colectivo, o guitarrista dos Place of Skulls como que trouxe aquilo que faltava para que «The Last Rites» seja, desde já, um dos melhores álbuns da banda, em décadas.
Possuindo uma produção quente e encorpada, uma orientação com mais groove, mas ainda assim não perdendo a faceta psicadélica e Stoner de outros tempos, estes 11 temas ostentam uma pesada herança retro, parte deles até foram desenterrados no baú de recordações, e de forma melancólica e descomprometida, oferecem-nos uma viagem saudável ao passado longínquo. Além da performance de Griffin, a voz de Liebling é obviamente um dos pontos altos desta gravação, não só porque mantém o seu registo característico, acrescentando-lhe a maturação própria da sua já provecta idade, a par da cedência lenta e eficiente protagonizada por Greg Turley, outro dos regressos ao seio da banda. Um disco que por direito próprio figurará nos 40 anos de história deste lendário grupo de Washington. Mai-11
[ 82 / 100 ] |
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PROCESS OF GUILT - Erosion / 2009
É salutar a grande actividade para os lados dos Process of Guilt, comprovada através dos lançamentos em associação com a Major Label Industries e a edição em cassete de obras mais antigas pela Bubonic Productions. Assim, a banda vai ao fundo de catálogo revisitar as demos «Demising Grace» e «Portraits of Regret», revive o álbum de estreia noutros formatos e ainda nos oferece um split EP com os britânicos Caïna, um balanço abrangente antes de nos convidar a emergir nos círculos de «Erosion».
Mais uma vez registado nos estúdios 5ª Dimensão pela mão de João Bacelar; a masterização desta feita ficou a cargo de Collin Jordan que nos próprios The Boiler Room de Chicago já tratou do som de projectos como Minsk, Nachtmystium, Yakuza ou Ministry; esta segunda incursão integral do quarteto eborense reveste-se de uma roupagem menos directa, onde a base inicial Doom / Death se embrenha presentemente em sonoridades mais actuais, algures com ramificações post-Rock e em enleantes passagens que se vão repetindo em crescendo, num emaranhado de sentimentos difusos, tons carregados e efeitos controladamente aleatórios.
Pesado, envolvente e quase viciante, estamos perante um disco ao nível do que se vai fazendo nos movimentos mais alternativos, de pura fusão estilística. Ago-09
[ 81 / 100 ] |
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POWERWOLF - Bible of the Beast / 2009
Numa altura em que os sons mais tradicionais parecem querer retomar um certo protagonismo, o qual foi estando afastado face a correntes mais experimentais e de vanguarda, os Powerwolf fazem essa ponte de forma quase perfeita ao misturarem uma diversidade impressionante de estilos clássicos, fundindo-os num álbum que, apesar da variedade de composição, mantém um nível elevado desde o seu inicio.
Baseado nas aparições bíblicas de satanás, recorrendo à ajuda de um coro clássico de 25 elementos, cuja presença em 8 dos temas juntamente com Falk Maria Schlegel em torno dos seus tubos do purgatório, vincam a aura eclesiástica que o quinteto germânico teima em envergar, este 3ª álbum reporta em todo o seu esplendor ao metal teutónico, envolto em atmosferas Heavy/Folk e executado com o entusiasmo próprio de uma banda em ascensão. Deixando para trás alguma sonoridade Doom que varreu a estreia «Return in Bloodred», o quinteto germânico deambula em torno das palestras de Attila Dorn com um manancial de temas efusivos, bem direccionados e com um enorme propensão live. Com misturas a cargo de Fredrik Nordström, este documento destila ironia por todos os poros, numa orgia entre anjos e demónios. Mai-09
[ 86 / 100 ] |
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PITCH BLACK - Hate Division / 2009
Quatro anos depois do álbum que colocou os Pitch Black como uma das mais emblemáticas bandas do underground nacional, uma série infindável de concertos e alguns retrocessos causados pelas dificuldades em reter um vocalista, o quinteto nortenho disponibiliza finalmente a sua segunda descarga de thrash para a elite.
Este disco é um grande salto em frente relativamente ao seu predecessor e já deu para confirmar ao vivo que, além de todas as malhas destilarem pura adrenalina, existe maior variedade de ganchos e riffs e acima de tudo muito suor. «Hate Division» conta ainda com a poderosa presença de Hugo dos Switchtense, elemento que os tem acompanhado no últimos anos mas, pese toda a dedicação e postura inigualáveis, todos sentiam que tal solução seria transitória. Aliada à natural postura mais core que alguns pretendiam mais rasgada e mordaz, é pois com expectativa que se aguarda como Tiago Albernaz, o front-man dos The Endgate, irá agora agarrar neste ambicioso fardo. Em mais uma produção de Rui Danin, a banda opta por masterizar com Jacob Hanson, decisão projectada num som final absolutamente esmagador.
Não acreditam no urderground? Abram o booklet ou então apareçam por aí num dos vários palcos preparados para altas descargas da thrash killing machine. Abr-09
[ 85 / 100 ] |
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PESTILENCE - Resurrection Macabre / 2009
A onda de revivalismo que varreu alguns dos clássicos do Thrash parece ter-se agora virado para quem, em plena década de 90’, se dedicava a injectar doses de experimentalismo à volta do Death Metal. Embora todo o tipo de cambiantes já tenha sido utilizada dentro deste género, é justo realçar que foram bandas como os Cynic, Atheist ou Pestilence que tiveram a ousadia em iniciar este tipo de profanação.
Assim, Patrick Mameli reformula a banda recrutando o talentoso baterista Peter Wildoer aos Darkane, completando a secção rítmica com Tony Choy, elemento que já o acompanhava nos C-187, virtuoso membro dos Atheist e ainda integrante do colectivo por altura de «Testimony of the Ancients». E é exactamente nessa fase que mergulha este 5º álbum de originais dos holandeses, uma vez que a faceta Jazz e de fusão apresentada em «Spheres» é quase colocada de lado, enveredando o trio, com Patrick Uterwijk reintegrado para as actividades ao vivo, pela brutalidade orgânica e crueza dos primeiros tempos, sobre um desempenho gutural do seu líder.
É certo que em tempos Mameli renegou de forma veemente toda a cena e como que regressa ao encontro da árvore das patacas mas ainda bem que o faz com inspiração, num trabalho pejado de desarmonias de guitarra e dissonantes melodias. Mar-09
[ 81 / 100 ] |
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