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INVERNO ETERNO / 2011
O álbum «Póstumo» lançado em 2008, junto com uma série de actuações marcantes, numa altura em que pela Europa iam florescendo projectos seguindo uma linha semelhante, colocou os Inverno Eterno como uma das bandas nacionais, a gravitar pelos meandros do Black Metal mais depressivo e suicida, num lugar de destaque dentro de um meio confinado. Passados 3 anos, o género foi-se tornando redutor.
Alheios a esse facto, este disco homónimo encerra em si mesmo, torrentes de sofrimento sobre um manto de neblina poético, temas instrumentalmente débeis, mas repletos de conteúdos que nos despertam os sentidos. Liricamente existem estrofes brilhantes. E no fim, lembram-me canções... de música que nunca ouvi.
Actualmente uma das editoras / distribuidoras mais empenhadas no panorama nacional, a Bubonic Productions já possui no seu extenso catálogo lançamentos de bandas como Bosque, Process of Guilt ou Why Angels Fall, nos terrenos mais soturnos do Doom Metal ou os Dolentia, InThyFlesh, Ars Diavoli, Irae e Defuntos, nos profundezas do Black mais visceral, uma quantidade de registos que, a juntar a muito som proveniente de além fronteiras, colocando-a num patamar superior no que diz respeito ao suporte dado a um nicho cada vez mais underground. Nov-11
[ 78 / 100 ] |
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IN THA UMBRA - Noire / 2011 - EP
À medida que os anos vão passando e o colectivo à volta de BKD se vai desembaraçando da sonoridade mais primitiva, o rumo traçado envereda por caminhos de contornos experimentais, onde a abordagem ao Black / Death de raiz adquire uma dimensão mais progressiva e atmosférica, na verdade sempre presente, mas com uma amplitude bastante mais abrangente. Ruben Sardinha é agora repescado para o lugar de baixista enquanto Fernando Estorninho continua a funcionar como um elemento externo catalisador da ambiência etérea que aqui se faz sentir, não desfazendo as colaborações pontuais de vocalistas alheios como André Capela, Célia Ramos ou Charles Sangnoir. É pois assim que os In Tha Umbra comemoram os 15 anos de actividade, com um pequeno disco já desvendando temas de um próximo lançamento, aproveitando esta achega para se lhes juntar a regravação de um outro mais antigo, reportando a «Midnight in the Garden of Hell», o álbum de 2000 do quarteto algarvio. Depois desta demonstração bem assertiva, onde uma produção exemplar terá forçosamente de ser a pedra basilar, aguarda-se com expectativa a saída do álbum já em (de)construção e que voltará a ser uma pedrada no charco algo amorfo e pouco original em que se vem tornando o panorama nacional mais extremo. Jan-11
[ 76 / 100 ] |
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INQUISITION - Ominous Doctrines of the Perpetual Mystical Macrocosm / 2010
Mesmo com assento nos Estados Unidos, não é comum a uma banda colombiana ter uma base de culto underground já com a dimensão da dos Inquisition, suportada em 4 álbuns, um trio de EPs e mais algumas edições avulsas e de menor relevância. Como mentor surge Dagon, o principal senão mesmo o único compositor desta instituição, presentemente responsável pela execução de todos os instrumentos, à excepção da bateria e pelas inertes, lívidas e agonizantes vocalizações.
Com uma produção inteligente, ríspida, mas simultaneamente clarividente, «Ominous Doctrines of the Perpectual Mystical Macrocosm» oferece-nos um desfilar de temas agrestes, autênticos mergulhos num abismo infindável. Além das vozes secas e de uma acidez impressionante, declamadas como se de uma sentença letal ou um ritual oculto se tratassem, todo o trabalho é varrido por assombrosas paredes de riffs lancinantes e um magnífico e diversificado desempenho na percussão, a cargo de Incubus. Gravado em 2 curtas passagens por estúdios situados algures na Califórnia, esta incursão dos Inquisition revela uma faceta mais melódica, madura e um carácter mais épico e catchy, até agora menos conhecidos. Um álbum obrigatório para todos os que ficaram retidos nas gélidas paredes do Black Metal escandinavo. Jan-11
[ 82 / 100 ] |
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IRON MAIDEN - The Final Frontier / 2010
Não valendo a pena estar a perder muito espaço a falar de uma carreira que tornou os Iron Maiden na maior e mais importante banda de Heavy Metal, saliente-se que após o regresso de Bruce Dickinson e Adrian Smith, já neste novo milénio, a banda britânica enveredou por um registo bem mais arrastado, onde os hinos directos deram lugar a longas intenções de virtuosismo e cadencias progressivas, sempre presentes desde os épicos iniciais é certo, mas nunca em tão grande escala.
Em «The Final Frontier», quarto trabalho dentro desta nova era, os Maiden fazem-no da melhor forma, com uma primeira parte mais imediata mas menos conseguida e um desenvolvimento mais intrincado, obscuro, repleto de fantásticos momentos e toneladas de duelos entre as 3 guitarras, com a marca de Harris em fundo e uma voz mais narrativa e teatral de Bruce, claramente sem a amplitude de outros tempos. Numa produção que continua a não fazer justiça ao som Maiden actual, pouco encorpada e demasiado baça, perde-se assim um pouco daquela energia que seria fulcral num disco como este, onde alguns rumores apontam como o último da banda. Não estando perante algo intemporal, como aquilo que fizeram na década de 80’, ainda assim este disco merece a chancela Maiden e quando assim é... Set-10
[ 77 / 100 ] |
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IMMORTAL - All Shall Falll / 2009
Regressados 3 anos após terem abandonado a cena em 2003, os Immortal voltam finalmente aos estúdios Abyss depois de um longo interregno de 7 anos, se bem que com os I, o tal projecto a solo de Abbath, já se tenha servido, mesmo que de forma mais ligeira, alguma da sonoridade invernal a que os primeiros nos foram habituando.
Em linha com o que fizeram em «Sons of Northern Darkness», os noruegueses propõe-nos um álbum com uma estrutura muito similar, numa demonstração cabal de solidez e segurança mas evitando correr riscos de maior. Com uma poderosa e bem estruturada produção, é à volta de faixas épicas e melódicas, sem perder de vista alguns momentos mais rápidos e brutais, que flui um registo que, uma vez mais, recorre à componente lírica de Demonaz. Como seria de esperar, Horgh evidencia-se através de uma poderosa e cirúrgica prestação enquanto Abbath, quer seja pelosriffs afiados, interlúdios acústicos, solos intensos ou pela agonizante voz, se vão complementando, construindo-se sob um pano de fundo de escarpas íngremes e geladas, sensações de vertiginoso desconforto e isolamento profundo.
Não sendo pois um portento de originalidade, «All Shall Fall» revela-se uma precisa arma de arremesso para o trio espalhar granizo pelos palcos onde irá actuar. Out-09
[ 78 / 100 ] |
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INFERNAL KINGDOM - The Black Throne of Hell / 2008
Da elaboração das letras para os extintos StockMorto - projecto que esteve na génese dos Infernal Kingdom - para a posição de vocalista, bastou um ensaio para que Demogorgon encontrasse em Naamah Satana a companhia ideal para fortalecer o ritual. Com uma sonoridade de forte cariz underground e travo old-school, para trás já ficaram um par de demos e três splits, partilhados com 4 bandas nacionais e algumas entidades externas, casos dos colombianos Infernal ou dos polacos Besatt.
Chegada a altura de se lançar algo mais substancial, eis que entram no Estudio 213 e em co-produção com Bruno é registado o suporte físico de «The Black Throne of Hell», o aguardado álbum de estreia dos IK, totalmente escrito, executado e desenhado pela dupla supracitada, faltando apenas um pouco mais de diversidade. Coadjuvados por Kryptus na bateria, grandes riffs são rasgados por uma pujante voz, dando-se um firme passo na senda da demência e do caos, como se pode constatar em «Pentagram of Baphomet» ou na surpreendente composição «Na Sombra da Luz».
Com previsão de saída em CD durante os primeiros meses deste ano, a banda vai-se desdobrando nalgumas apresentações ao vivo no sentido de espalhar a mensagem do Mestre Negro, para já numa gentileza da Herege Warfare Productions. Jan-09
[ 78 / 100 ] |
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INVERNO ETERNO - Póstumo / 2008
Mantendo uma assinalável assiduidade em termos de lançamentos underground, predominantemente nas áreas Black / Doom, a Bubonic Productions acrescenta agora à lista composta por Dolentia, Vittrah, InThyFlesh e Cripta Oculta, o trabalho de estreia dos lisboetas Inverno Eterno com a marca BBP006.
Confesso que as duas actuações a que deles já assisti não me deixaram grandes recordações e embora tenha sido evidente o empenho que colocam a cada momento, nomeadamente por parte do seu front-man, pessoalmente algo me parecia forçado e pouco funcional em termos de coerência. No entanto, com o desenrolar destes temas, esquecendo talvez um prólogo demasiado extenso e repetitivo, as peças começam a encaixar, além de que as próprias músicas se complementam entre si. Criando uma atmosfera de evidente solidão e constante carga emocional, os temas fluem de forma frágil mas segura, de onde brotam pormenores de triste acalmia contrastando com a distorção circundante, sob vozes diversas e muito bem estruturadas, vindas do nada. De aplaudir a utilização da língua nativa que se vai adaptando na perfeição a todo o conceito desenvolvido num álbum muito denso, sofrido, nostálgico e mortalmente melancólico. Dez-08
[ 77 / 100 ] |
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