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GHOST - Opus Eponymous / 2010
Uma das maiores vantagens das resenhas de fim de ano é fazerem-nos pegar em álbuns que, por qualquer razão inexplicável, ficaram para canto e afinal até mereciam uma oportunidade. O facto dos Ghost terem ficado esquecidos é ainda mais estranho, uma vez que até foram das bandas novas com maior hype à sua volta.
Comandados por um Papa diabólico e com os restantes membros envoltos na penumbra, o sexteto sueco oferece-nos 9 fenomenais temas retro, como se o som arrastado dos Sabbath se fundisse no universo psicadélico dos Blue Öyster Cult, à volta de estruturas NWOBHM e em linha com o que fariam os Mercyful Fate. Desconhecendo o paradeiro de cada um dos seis membros, rumores cibernéticos identificam algumas origens para os lados dos Watain e Repugnant, mas nada disso é muito seguro, não há qualquer dúvida que estamos perante grandes executantes instrumentais, dos quais recebemos fantásticas melodias, retiradas também dum sumptuoso Hammond, grandes riffs e leads, sem que o baixo se deixe ficar para trás e uma competente performance na bateria. Sem recurso a extremos, a voz conduz cada tema numa direcção apelativa e muitas vezes ligeira num disco de estreia nostálgico, refrescante e, embora um pouco burlesco, bastante bem conseguido. Jan-11
[ 82 / 100 ] |
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GOD DETHRONED – Under the Sign of the Iron Cross / 2010
De volta ao conceito que deu luz ao anterior «Passiondale», a carnificina em que se transformou a 1ª Grande Guerra, os God Dethroned deambulam desta feita pelas trincheiras dos campos de batalha explorando as novas técnicas de guerrilha, a artilharia pesada e os tanques que dizimam a cavalaria tradicional, os planos de confronto dos exércitos de Leste, os bombardeamentos, os gases tóxicos e as acrobacias dos heróis do ar, como o fulgurante Barão Vermelho, resultam em milhões de mortes em benefício de alguns, conflitos que se passaram a decidir à distância, em detrimento da luta corpo a corpo, e assim a própria morte deixou de ter rosto.
Em termos instrumentais, «Under the Sign of the Iron Cross» é um pouco mais agressivo que os registos mais recentes embora não faltem alguns dos solos e melodias orelhudas que já caracterizavam a banda holandesa por altura dos seus trabalhos intermédios. A utilização de vozes límpidas, a cargo de Marco v.d. Velde, e o recurso a riffs inesquecíveis, como só Henri Sattler sabe fazer, tornam este disco uma peça interessante e que sabe bem voltar a escutar, até pela sua curta duração.
De volta ao formato de quarteto, Susan Gerl teve uma passagem fugaz pelas guitarras sendo substituída por Danny Tunker que acumula funções nos Prostitute Disfigurement, estão lançados os dados para abrir novas frentes de ataque. Dez-10
[ 82 / 100 ] |
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GWYDION - Horn Triskelion / 2010
Tomando como referência os 13 anos necessários para gravar «Ynys Mön», ainda bem que não passou assim tanto tempo para os Gwydion voltarem às lides discográficas. Com uma bagagem superior, não só pela experiência adquirida, mas também graças à significativa actividade ao vivo - neste período o sexteto alfacinha chegou a andar em tournée com bandas como Tyr ou Alestorm, tendo também participado em eventos importantes no nosso país - este registo supera em diversos aspectos o seu predecessor. Lançado pela editora alemã Trollzorn, destaca-se a produção a cargo de Fernado Matias dos F.E.V.E.R. que permitiu à banda preocupar-se com o fundamental, abrindo caminho para que alguém como Børge Finstad recebesse em mãos um trabalho em bruto indiscutivelmente capaz. A diversidade é outra das facetas evidentes através do cuidado posto nos detalhes, anteriormente algo limitados aos teclados de Dani, onde os coros, a presença de alguns convidados, as vozes femininas e a introdução de um ou outro instrumento pontual tornam esta mistura de Heavy / Folk bem mais atractiva. A cultura nórdica e a mitologia Viking cruzam-se com a nossa em «Ofíussa (A Terra das Serpentes)» onde Odin parece derramar gotas de hidromel divino em honra das gentes lusitanas. Abr-10
[ 83 / 100 ] |
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GAMMA RAY - To the Metal / 2010
Não sendo de agora que influências como Iron Maiden e Judas Priest se podem encontrar no som dos Gamma Ray, muito menos tal constatação poderá passar ao lado num disco que pretende ser como uma espécie de homenagem ao Metal e nem só desses grandes nomes surgem referencias, neste décimo trabalho de originais do quarteto germânico, há muitas outras espalhadas ao longo destas 10 composições.
No entanto, algo falha neste «To the Metal» e não é só a falta de inspiração. Para começar há poucos hinos majestosos, como só a banda de Kai Hansen sabe fazer, depois mais de metade deste registo torna-se insípida e pouco consistente. A voz de Hansen, que de facto nunca foi um vocalista brilhante, apresenta-se demasiadas vezes fora de tom e nem a super-produção ou excesso de efeitos o consegue disfarçar mas a maior decepção fica para o trabalho de guitarras, outrora um must e que aqui se queda “apenas” pela mediania. Enquanto «Land of the Free II» se mostrou um álbum fiel ao legado, temos agora um disco onde o resultado final está longe de ser uma obra-prima. Mesmo assim, estamos perante um bom álbum de speed/power metal, excluindo aquela parte inenarrável em «No Need to Cry» e se mais fosse necessário, vale ainda pela participação sempre saudosista de Michael Kiske. Fev - 10
[ 77 / 100 ] |
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GORGOROTH - Quantos Possunt Ad Satanitatem Trahunt / 2009
Os tempos tumultuosos parecem não acabar para os lados dos Gorgoroth, num processo que levou os direitos do nome e logotipo a serem reconquistados à dupla Gaahl / King ov Hell que anteriormente tinha afastado Infernus do caminho. Enfim, nada a que não estejam habituados após já terem enfrentado diversas tramas judiciais, como acusações de violação, agressões, raptos ou posse ilegal de armas.
Retomando as rédeas da composição, abandonadas nos últimos trabalhos, Infernus reformula todo o line-up com Pest, o gélido e abrasivo vocalista dos primeiros petardos do grupo norueguês, com o guitarrista Tormentor que, apesar de não participar neste álbum, conhece bem os cantos à casa e ainda com a inclusão de Tomas Asklund, baterista que passou pelos Dark Funeral e Dissection e do baixista Frank Watkins dos Obituary. Em termos instrumentais, a banda torna-se mais melódica, num trabalho orientado para as guitarras, agora envolvidas por frequentes passagens mais épicas e num enleante groove, contributo óbvio da dupla Asklund / Watkins, tudo isto refinado e moldado por uma moderna e cristalina produção. No final fica a sensação de um retrocesso temporal conseguido, num disco mais atmosférico e técnico quando comparado com a brutalidade dos últimos anos. Nov-09
[ 78 / 100 ] |
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GOD DETHRONED - Passiondale / 2009
Não sendo uma das bandas mais carismáticas no extenso rol de colectivos Death Metal espalhados por esse mundo fora, os holandeses God Dethroned foram sabendo crescer ao longo destes últimos 18 anos, desde uma fase mais letal e agressiva que remonta aos tempos de «The Christhunt», ao metal mais elaborado e polido.
Após um álbum menos conseguido, o trio recorre a uma das mais sangrentas batalhas da primeira guerra mundial, onde pereceram cerca de 600 mil pessoas entre aliados britânicos e soldados do império alemão, honrando não só aqueles que habitam os cemitérios de Passchendaele, como os seus descendentes que frequentando os bares da região vão entoando canções nostálgicas sob evidentes efeitos secundários. Intercalando melodia, pontuais vozes limpas e de narração, harmoniosas passagens instrumentais e sintetizações em plano de fundo com esgares guturais, blastbeats e um emaranhado sónico proveniente das guitarras agora unicamente a cargo de Henri Sattler, Isaac Delahaye abandonou o grupo ainda antes da gravação deste opus, sendo posteriormente substituído por Susan Gerl, estamos perante um álbum homogéneo, competente e parcialmente épico mas onde só a espaços é que se detectam "aqueles" excelentes riffs que, por exemplo, o álbum bónus apenso ainda nos oferece. Mai-09
[ 77 / 100 ] |
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GUNS N' ROSES - Chinese Democracy / 2008
A maior parte das resenhas sobre o novo trabalho dos Guns N’ Roses está feita à partida. É dizer que passaram cerca de 18 anos após a edição de «Use Your Illusions I & II», apontar o dedo aos constantes adiamentos, falar dos membros, produtores e engenheiros de som recrutados / despedidos ao longo do tempo e ainda sublinhar o número de estúdios e os milhões de US$ gastos. Perante tanta expectativa, nem seria necessário ouvir o disco para começar a malhar neste trabalho (a solo) de Axel Rose.
No entanto, é fácil constatar que este registo escorre de forma muito fluída, repleto de groove e encontra-se cheio de grandes temas. Se bem que exista alguma disparidade temporal na captação de algumas malhas e ninguém tocar como Slash, é sempre gratificante escutar o som debitado por executantes como Robin Finck, Buckethead ou Ron "Bumblefoot" Thal, entre outros, que nos entregam grandes solos e riffs no decorrer de todo o disco. Mesmo com alguns truques laboratoriais, a voz de Axel Rose supera-se a cada instante enquanto Dizzy Red complementa todos os espaços livres com harmoniosas passagens instrumentais, como só ele sabe fazer.
Um álbum arrancado pela teimosia que, mesmo transcorrido um eterno hiato, soa fresco, diversificado e muito digno de ostentar o nome G N’ R. Nov-08
[ 88 / 100 ] |
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