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D-A-D - DIC.NII.LAN.DAFT.ERD.ARK / 2011
O Hard-Rock glamouroso dos escandinavos D-A-D, apesar de continuar a viver na penumbra do sucesso de um disco com mais de 20 anos, chega e sobra para nos voltar a colocar numa auto-estrada imaginária ao volante de um qualquer desportivo sem capota. Cada tema apela à abertura do mais refrescante néctar e faz-nos querer ser mais acéfalos que uma amiba gigante... e isso não é bom, é fantástico!
«DIC.NII.LAN.DAFT.ERD.ARK» é já o 11º álbum de originais de um quarteto que se vai mantendo estável sob a orientação dos irmãos Binzer e pelas 2 cordas do baixo de Stig Pedersen, em temas a meio gás, mas que não destoam daquilo que a banda nos tem proporcionado ao longo do tempo, embora tal também não seria de todo aconselhável. Em sumula, qualquer registo dos Dinamarqueses proporciona-nos momentos sem complexos, algumas descargas de guitarra bem rasgadas, um ou outro tema mais cadenciado e bastantes passagens bem estruturadas, dignas de figurarem num dos alucinantes espectáculos ao vivo proporcionados pela banda. Numa base Rock e uma costeleta Punk, sempre presente desde os primórdios, os D-A-D prosseguem a sua carreira de forma linear, mas com interesse renovado e competência inquestionável. O riff de piano de «We All Fall Down» vale o disco... Jan-12
[ 81 / 100 ] |
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DESTRUCTION - Days of Reckoning / 2011
Não só pelo passado percursor do que mais tarde viria a ser reconhecido como Teutonic Thrash, os Destruction sempre me foram próximos, ou não fossem eles a primeira banda extrema que vi, nos longínquos anos 80’. E tem sido esse retorno que Schmier e Mike Sifringer tem tentado fazer, desde que no inicio deste século resolveram desenterrar o machado do talhante e rumar às raízes, por vezes de forma menos conseguida, mas sempre com a mesma dedicação, pujança e agressividade.
De regresso à Nuclear Blast com o 11º álbum de originais, contando com o renegado «The Least Successful Cannonbal», o trio agora completo com o baterista Vaaver, apresenta-se com nova colecção de temas directos, ultra-rápidos e brutais. Outra vez com Jacob Hansen na produção, o som dos germânicos ganha uma nova amplitude enérgica e moderna, rompendo-nos o aparelho auditivo como se uma máquina de tortura nos fosse instalada no cérebro, num disco equilibrado e sempre a rasgar, onde a falta de diversidade, de malhas absolutamente marcantes e de alguma, sempre importante, musicalidade (sim isto é thrash, eu sei...) acabem por ser a maior lacuna.
Aguarda-se que a tournée europeia partilhada com os Overkill não se esqueça de passar por Portugal, pois é ao vivo que tudo soará de forma ainda mais letal. Fev-11
[ 74 / 100 ] |
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DIMMU BORGIR - Abrahadabra / 2010
Não existem muitas bandas dentro dos estilos extremos com a veleidade em serem reconhecidas por um público mais abrangente e heterogéneo quando comparado com a sua inicial base de adeptos. Normalmente, quando atingem este patamar, ganham de imediato uma legião de detractores e a maledicência é instituída por defeito, numa comunidade com uma mentalidade de rebanho ainda exacerbada.
E não será com o obscuro e amadurecido «Abrahadabra» que estas reacções amor/ódio por certo se extinguirão. Enquanto a ausência de Mustis é facilmente colmatada pela inclusão de uma orquestra de 100 elementos, além da participação de Gerlioz em estúdio, já será discutível qual o impacto da saída de Vortex. A presença de Snowy Shaw, Agnete Kjølsrud, Kristoffer Rygg e do poderoso The Schola Cantorum Choir, coadjuvando uma postura mais diversa e pautada por parte de Shagrath, trouxeram a este disco uma dinâmica superior mas ainda se notam algumas passagens desenhadas para as vozes límpidas do anterior baixista. Num álbum repleto de grande musicalidade, onde a percussão se atenua em detrimento das guitarras de Silenoz e Galder, as quais fazem por se fazer notar contra a fabulosa contribuição da Norwegian Radio Orchestra, é fundamental destacar o vital papel de Andy Sneap, tornando um turbilhão desenfreado de sons em algo perfeitamente domesticado. Out-10
[ 91 / 100 ] |
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DECAYED - Chaos Underground / 2010
Quando já se fala de uma longa pausa na actividade ao vivo, a qual não terá felizmente consequências em termos de gravações, no ano em que celebram 2 décadas de existência, os Decayed não estiveram com contemplações e além de uma extensa colectânea de covers, lançaram para o mercado um EP repleto de conteúdos, finalizando esta jornada com aquele que pode ser considerado o 8º álbum de estúdio.
Composto por 17 temas viscerais que desaguam numa venenosa mistura de estilos old-school, extrema, suja, blasfema, herege e, como convém, pouco polida, num registo mais próximo de uma demo que de uma gravação profissional, decisão certamente inamovível por parte de JA. Lâminas como «Martelo do Inferno», o tema título, ambos com a participação feminina de Célia, que se vai escutando de forma verdadeiramente bem conseguida ao longo de quase todo o disco e a fantástica «Black Funeral», dos míticos Mercyful Fate, pertencem desde já, por direito próprio, ao extenso legado desta instituição do underground lvsitano.
A 4ª parte do Caos mergulha no passado, como já vai sendo hábito, incluindo a remistura de «Sacrifice of the New Born», 5 temas gravados no ano de 1996 e utilizados posteriormente num split com os saudosos Alastor. Out-10
[ 77 / 100 ] |
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DEFUNTOS - Invocação aos Mortos / 2010
Em pouco mais de 5 anos e à semelhança de muitos outros projectos obscuros espalhados pelo sub-mundo do oculto, os Defuntos tem revelado uma capacidade editorial fulgurante, com 4 álbum de originais, um split partilhado com os australianos Striborg e 2 EPs lançados de permeio.
Mantendo a sonoridade claustrofóbica e bastante peculiar, o uso de guitarras é abafado sendo o baixo de Conde J. o elemento que se destaca sobre os compassos moribundos da bateria e o esgar latente de F., é na extensão dos temas que este trabalho mais se diferencia dos anteriores. Com «Deambulações numa Noite de Inverno» e «Funeral de Memórias» a aproximarem-se melancolicamente de uns angustiantes 20 minutos, intervalados por uma passagem de orgão de uma morbidez atroz, toda a textura deste registo transmite desespero, dor e morte. Pelo seu conteúdo minimal, a débil base instrumental com alguns teclados pontuais não alcança o desiderato mais ambicioso posto no conteúdo lirico e o resultado final mais parece saído de dentro de um jazigo de grades ferrugentas, sendo óbvio que foi mesmo esse o efeito desejado, um ritual dolente, reservado apenas a 100 apreciadores do género e com distribuição a cargo da cada vez mais activa Bubonic Productions. Jun-10
[ na / 100 ] |
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DECAYED - Shadow-Land / 2010
No ano em que celebram 2 décadas de existência, a quantidade de lançamentos colocada no mercado pelo blasfemo quarteto liderado por JA teima em não abrandar, aumentada só no corrente ano, mesmo antes do anunciado 8º álbum de originais, com uma colectânea de covers, preenchida por temas que foram registando ao longo da sua extensa carreira e por este MCD, composto por 7 malhas originais, um tributo aos sempre presentes Bathory, sobrando ainda espaço para a reedição de míticas tapes como «Ataque Infernal» de 1999 e «Live 9/9/99».
Não esperem pois grande perda de tempo com polidas produções, composições complexas ou misturas demasiado trabalhadas uma vez que os Decayed continuam a fazer questão de soar raw & dirty, debitando de forma esforçada e sentida um típico Black n’Roll com notórios contornos old-school, onde não faltam passagens que recorrem aos saudosos anos 80’, não só à evidência do movimento Speed /Death / Thrash como também a laivos de Punk Rock destilados em ódio religioso e numa postura anti-social. Assim sendo «Shadow-Land» é um trabalho que não destoa do resto da discografia do colectivo, mais uma peça essencial para coleccionadores e um bom aperitivo para o Caos Underground que se anuncia. Mai-10
[ 68 / 100] |
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DARKTHRONE - Circle the Wagons / 2010
O álbum «The Cult Is Alive», lançado em 2006, marcou a segunda grande inflexão no percurso do duo norueguês, cuja longínqua carreira como um dos principais ícones do universo Black Metal escandinavo apenas teve outro desvio, exactamente no período inicial, com um disco de tendências Death. A partir daí, o rumo manteve-se inalterável durante cerca de 15 anos, até que Fenriz e Nocturno Culto, num misto de ironia e sobranceria, como que criaram uma nova vaga, o Black Heavy Metal.
Numa linha não muito distante dos 3 trabalhos anteriores, embora com uma toada cada vez menos ligada ao percurso passado, os dois músicos vão alternando músicas de sua autoria, numa veia assumidamente Crust / Punk mas com diversas incursões nos meandros do Metal mais tradicional. Apesar de todas as semelhanças e revelando a mesma atitude de sempre, som retro, sujo e poeirento, «Circle the Wagons» apresenta um maior cuidado ao nível das composições e produção, especialmente para bem do som da bateria, enriquecendo essa aposta com algumas passagens mais trabalhadas, vozes limpas e até na qualidade dos riffs sacados por Nocturno. Em jeito de homenagem ao movimento underground, Fenriz farta-se de escrever ideias e devaneios old-school num booklet novamente desenhado por Dennis Dread. Abr-10
[ 77 / 100] |
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DARK FUNERAL - Angelus Exuro pro Eternus / 2009
Desde que nos primórdios da década de 90’ o estilo se desenvolveu a partir das correntes mais extremas do Heavy Metal, tendo como epicentro a Noruega, o Black Metal sueco sempre foi visto com desconfiança e como um produto algo inferior quando confrontado com a pureza e sentimento oriundos do outro lado da península, num clima conflituoso que chegou mesmo às portas da violência. Actualmente não há melómano dentro do género que dispense álbuns de Bathory, Dissection ou Marduk.
Numa onda mais sinfónica que apesar de evitar os teclados, recurso natural para as bandas mais conceituadas, não escapa às críticas dos mais puristas, os Dark Funeral descarregam neste seu 5º álbum torrentes de blasfémia em atmosferas insondáveis, à custa de constantes mudanças de tempo enquanto uma chuva de blastbeats se encarrega de aniquilar toda a secção rítmica. Num registo detalhado e cristalino, cortesia de Peter Tägtgren e mais técnico, fluído e variado, prevalecem as linhas melódicas provenientes da dupla de guitarristas, obviamente liderada por Lord Ahriman, sobre o lago espectro vocal de E. M. Caligula. Embrulhado num infernal trabalho em photoshop 3D e com um razoável DVD ao vivo em anexo, esta amostra termina com o vídeo de «My Funeral», infelizmente na sua versão censurada. Dez-09
[ 79 / 100 ] |
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DESTRÖYER 666 - Defiance / 2009
Num híbrido Black/Thrash, irrompendo pelas fronteiras do Death Metal, o metal sujo e old-school dos Destroÿer 666 tem-se valido de um ponderado distanciamento de certos clichés, uma discografia coerente e vibrantes actuações que foram cimentando uma fiel base de seguidores. Certo que os Razor of Occam lançaram um álbum recentemente e até existem várias semelhanças entre os 2 projectos, ou não tivessem a mesma base compositora mas o EP «Abraxas» já tem mais de 6 anos…
Um pouco mais melódico e menos Thrash que «Cold Steel…», o quarteto deambula entre sonoridades globais e embora se vão encontrando algumas referências no som sueco mais extremo e na periferia de algum Black helénico, é todo o trabalho de guitarra de Shapnel e a voz mórbida de KK, aqui coadjuvado por quase toda a banda, que os destingue dos seus pares. Sacado nos Necromorbus Studios, «Defiance» revela um maior cuidado sónico, principalmente ao nível das baixas frequências e é essa característica que, mesmo sem grandes primores técnicos e mantendo a chancela D666 intacta, faz a diferença em relação ao passado, tornando-os ainda mais letais.
Numa época em que proliferam festivais como cogumelos este disco torna-se numa forte razão para se voltar a exigir a presença da banda no nosso país. Jul-09
[ 83 / 100 ] |
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D-A-D - Monster Philosophy / 2008
Pegar num disco dos D-A-D (podem confundir à vontade com Disneyland After Dark ou D:A:D), não é nada mais que puro prazer, música descomplexada para uma tarde de verão. Para algo mais complicado ou intelectualmente apto devem procurar noutro local uma vez que o quarteto dinamarquês, à semelhança do número de cordas do baixo de Stig Pedersen, não toca com o baralho todo.
Claro que os anos passam e já lá vão mais de 2 décadas mas ao olharmos para trás, para álbuns como «No Fuel Left for the Pilgrims» ou «Riskin’ It All», vemos que não mudaram tanto quanto isso. Ao décimo de originais a banda continua com capacidade para criar grandes temas Rock, com aquele condimento Punk que só eles lhe sabem dar, bons solos protagonizados pelos irmãos Binzer e o tal toque inimitável proveniente da guitarra de 2 cordas. Embora parte dos temas corra a meio gás, por vezes até a tender para algo mais baladesco, todos eles encerram viciantes melodias.
Infelizmente cada vez é mais difícil encontrar o material mais recente do colectivo a preços minimamente aceitáveis e, enquanto o disco anterior só me foi possível adquirir um ano após o seu lançamento, perdido numa estante de uma megastore, este foi-mo enviado directamente do país do sol nascente. Simpatico… Jun-09
[ 82 / 100] |
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DAWNRIDER - Two / 2009
«Two» é como o próprio nome induz, a segunda incursão do grupo lisboeta através dos caminhos do Rock psicadélico e pelos arrastados tempos do Doom Metal de tendências old-school. Desta feita, com produção e apoio técnico de José Pedro Sarrufo, a banda conta com os préstimos de André Silva, elemento que já passou pelos Shadowsphere, Tearful e pertence aos Theriomorphic, que colmata a lacuna deixada em aberto, antes do inicio das gravações, pela saída do anterior baterista.
Na senda de «Alpha Chapter», o som apresentado proporciona-nos um híbrido de Heavy/Doom com fortes tendências Stoner, onde torrentes de riffs brotam das guitarras manejadas pela dupla Conim / Barrelas revelando uma sonoridade retro, como se bandas como Trouble, Sabbath ou Pentagram tivessem encarnado, por instantes, dentro das melódicas e saudosistas interpretações do quinteto.
À semelhança do álbum de estreia, «Two» também reserva os seus highlights, quer sob a forma de novo e interessante instrumental, quer no extenso tema «Irinia», justamente e de forma muito convicta, cantado em português. Não só - mas também - por causa desta sufocante malha, estamos perante mais um conjunto de temas que vivo apresentarão resultados garantidos... outra vez. Jun-09
[ 79 / 100] |
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DESIRE - Crowcifix / 2009
Remonta ao verão de 92’ o tempo em que Tear (voz), Flame (bateria) e Mist (guitarras), ainda sob a designação de Incarnated, decidiram criar um projecto onde as emoções mais profundas seriam levadas a limites ainda não sentidos nos meios mais extremos. Recorrendo à utilização exaustiva dos teclados a cargo de Dawn, tarefa desempenhada por Ashes mais recentemente, o colectivo extravasa atmosferas emotivas através de uma forte componente poética, em longuíssimas composições, arrastadas passagens e intrincadas melodias.
Neste trabalho auto-financiado, o quinteto lisboeta deita para trás das costas alguns conflitos internos e regressa com a mesma formação que gravou «Locus Horrendus», acrescida do guitarrista Raiden mas com Dusk no lugar do baixista Tempest. Perfazendo 30 minutos de puro dramatismo, além dos 2 temas originais, na habitual senda de melancolia, dor, pesar e desespero, «Crowcifix» inclui ainda um tema registado ao vivo em ’03, no já extinto e cada vez mais saudoso Hard Club.
Aguarda-se portanto que este seja o mote para uma maior actividade nos palcos mais carismáticos do circuito underground e que, após conseguido o almejado contrato discográfico, a banda consiga lançar novo álbum ainda este ano. Mai-09 [ 76 / 100] |
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DEFUNTOS - A Negra Vastidão das Nossas Almas / 2008
Com o boom de movimentos que emergem do Black Metal para escarpas mais depressivas, como que apelando ao suicídio, os Defuntos chegam ao segundo álbum depois de ainda terem registado um EP em 2008.
Após uma introdução que invoca «Os Lamentos da Noite», o duo abraça uma sonoridade mórbida, lenta e ritual. As atmosferas são densas, o ambiente é de sofrimento, os temas são obscuros e o silêncio em redor sepulcral. Ao longo dos 4 temas que de forma absorta vagueiam pelos terrenos áridos do Funeral Black / Doom, Conde F. declama a sua angustia sobre textos que lhe foram entregues por um passado distante, repletos de dor e pesar. Os ritmos compassados da bateria como que cravam maquinalmente cada prego no tampo de urnas ao abandono enquanto o outro Conde, J. de seu nome, vai dedilhando compassos de negatividade letal, como que a abrir caminho ao passo lento mas firme da Morte. A desconstrução é a tónica dominante neste registo agreste, artesanal e fechado na entidade de cada um dos seus criadores.
Quer pela cadência de edições quer por algum do valor já demonstrado, os Defuntos serão por certo um projecto que poderá alcançar voos mais altos. Até lá, a plateia será restrita, como por certo também lhes convém. Jan-09
[ 61 / 100] |
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DIVINE LUST - The Bitterest Flavours / 2008
Recorrendo à experiência adquirida na estrada, onde chegaram a tocar com bandas como Anathema, To/Die/For ou My Dying Bride, os Divine Lust chegam ao segundo longa duração, após uma década de existência, deixando para trás a demo «Terceiro Pecado», um álbum homónimo e «Harvest», um EP lançado em 2004.
E é no seguimento desse último suporte, onde vão recuperar 3 temas, que «The Bitterest Flavours» emerge, através de 11 composições que vão correndo em ritmo cadenciado, embrenhando-se pelos desígnios do Doom, por ambientes mais Heavy / Dark e, de quando em vez, por tonalidades Goth. À dupla original composta por Filipe Gonçalves, guitarra e voz e pelo baterista João Costa, juntam-se António Capote nos jogos de teclados, Ricardo Pinhal que funciona como guitarrista complementar enquanto o produtor Dikk se encarrega do baixo. Elementos externos, como o violinista Tiago Flores dos Corvos, a guitarra portuguesa executada por Ricardo Marques e as vozes de Paula Teixeira, vem acrescentar uma ainda maior diversidade de sabores e alguma portugalidade a esta proposta do colectivo alfacinha.
Num ano de grandes colheitas, eis mais uma produção nacional bastante interessante e capaz de agradar a quem busca melancolia com fortes contornos melódicos. Dez-08
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DARKTHRONE - Dark Thrones and Black Flags / 2008
Os dois últimos trabalhos dos Darkthrone foram trazendo estranhas mudanças nas composições a que estes nos vinham habituando desde o lançamento do mítico «A Blaze in the Northern Sky», já no longínquo ano de 1992. Mantendo toda a essência mórbida e a sensação de podridão, através de riffs maníacos, da violação sónica imprimida à bateria por Fenriz e pelos esgares animalescos de Nocturno Culto, o duo foi optando por uma atitude cada vez mais despreocupada e ao mesmo tempo até mais excitante, transparecendo uma postura retro, forçosamente old-school.
Seguindo uma onda semelhante mas produzindo-a de forma mais negra, suja e severa, a dupla vai dividindo entre si a escrita e algumas vocalizações ao longo de «Dark Thrones and Black Flags». Mais uma vez, a inspiração é retirada do baú das recordações, de onde brota uma mescla de Heavy Metal primitivo com legitimo Punk Rock, a qual vai confluindo, de forma crua e pouco polida, para as ancestrais sonoridades Black, reutilizadas em incisivas passagens de ríspida musicalidade.
Mais um disco que não deve ser levado muito a sério, elaborado nas longas caminhadas pela floresta nórdica e acampamentos montados em lúgubres clareiras… Ah!, ainda se vendem t-shirts comemorativas de «Viking Metal Punks»... Nov-08
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