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CRADLE OF FILTH - Evermore Darkly / 2011- EP
Quando a própria banda anuncia que é quase um crime obter este EP de outra forma que não seja de graça, parte desta análise fica facilitada. De que outra forma seria justificável gastar um cêntimo que seja em temas que foram repescados das sessões de gravação de «Darkly, Darkly, Venus Aversa»?
À parte das versões alternativas de malhas que povoaram o último álbum do sexteto britânico, onde o destaque vai para a versão electro-trance de «Forgive Me Father», uma proposta tornada dançável por Rob Caggiano e que só surpreende aqueles que não conhecem a data de experiências deste género que o colectivo tem feito ao longo dos tempos, os dois temas originais, sendo um deles uma intro, acabam por incutir um espirito coleccionista à coisa. Martin Škaroupka continua a revelar-se uma máquina imparável e, não fosse por algo mais, o artwork de Natalie Shau vale também uma espreitadela. O DVD anexo funciona como um complemento visual, demonstrando uma banda plena de actividade, com uma enorme lista de temas emblemáticos e ainda capaz de produzir vídeos como «Lilith Immaculate», um interessante clip que abre esta rodela digital. Tudo somado, «Evermore Darkly» até acaba por ser um documento que merece parte do investimento. Nov-11
[ 64 / 100 ] |
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CORPUS CHRISTII - Luciferian Frequencies / 2011
Desenhados em torno da personagem Nocturnus Horrendus, os Corpus Christii já vão no 7º álbum de originais, deixada que está para trás a trilogia «Torment». A cada novo passo, absorvem-se influências que colocam esta entidade num patamar bastante superior ao da grande maioria dos projectos que gravitam pelo panorama nacional.
Agora que o Black Metal se encontra numa encruzilhada, não havendo mais espaço (nem paciência) para aquele som mais visceral reproduzido até à exaustão, os CC enveredam por caminhos menos lineares, saindo das fronteiras do Black / Death, muito graças à experiência e maturação que foram adquirindo, não só ao vivo, mas também pela abrangente capacidade vocal de NH.
Um manancial de agonia que vai crescendo a cada audição, embora algumas fases se revelem um pouco monótonas. Com selo da Candlelight, esta liturgia de depressão conta ainda com o excelente contributo do baterista Menthor. Ago-11
[ 77 / 100 ] |
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CRADLE OF FILTH - Darkly, Darkly, Venus Aversa / 2010
Junto com os Dimmu Borgir, os Cradle of Filth são uma das bandas de metal extremo com fortes raízes no movimento Black Metal, que foram acrescentando ao som de base orquestrações majestosas e estratos de musicalidade tal, que os foram afastando progressivamente do percurso inicial.
De forma sinuosa, os últimos tempos de Dani Filth e companhia deambularam entre elaborados e ambiciosos enredos e obras mais acessíveis, a roçar o comercial, onde o exótico vocalista quase chegou ao limite de não utilizar o seu característico esgar. Após um acelerado «Godspeed on the Devil’s Thunder», o qual parece reportar em termos estilísticos à fase pos-«The Principle of Evil Made Flesh», a banda acolhe o guitarrista James McIlroy, elemento já utilizado ao vivo e que reforça o trabalho de desconstrução rítmica executado por Paul Allender, enquanto Ashley Ellyllon, além das vozes femininas de suporte a Dani, ainda vai pintando paisagens sinfónicas sobre um pano de fundo intrincado, negro, glamoroso e decadente. Infelizmente faltam aqui malhas memoráveis e aqueles interlúdios majestosos a que estávamos acostumados, embora o desempenho sónico de Martin Skaroupka seja indiscutivelmente um dos aspectos a destacar neste veloz, mas ao mesmo tempo algo estéril, «Darkly, Darkly, Venus Aversa». Nov-10
[ 78 / 100 ] |
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CATHEDRAL - The Guessing Game / 2010
Cinco anos após «The Garden of Unearthly Delights», os britânicos Cathedral surpreendem-nos com um álbum duplo, menos convencional e cada vez mais a roçar os limites do bizarro. O Doom com raízes antigas, leia-se Sabbath, mistura-se frequentemente com tonalidades psicadélicas, recolhidas à década de ’70, num emaranhado de texturas revestidas de experimentalismo e incursões progressivas, onde o som intrincado desagua em ambientes etéreos e estranhas encruzilhadas.
Ainda mais complexo e dado a devaneios estilísticos, ao nono trabalho de originais a banda de Coventry agarra-nos ao longo de uma hora e meia que, aparentemente poderá parecer demasiado longa e incaracterística mas, com o decorrer de pacientes audições acaba por se revelar numa das suas maiores e mais bem construídas obras. Enquanto Lee Dorrian alterna entre registos declamados ou limpos e a sua característica tonalidade vocal, Leo Smee e Brian Dixon rasgam cada instante com uma sessão rítmica ora hipnótica ora convincentemente condutora, ficando Garry Jennings imbuído em preencher cada espaço com grandes riffs e pinceladas de qualidade, onde sintetizados, órgãos, flautas, citaras e violinos parecem flutuar. Além de brilhante, «The Guessing Game» é divertido e de jogabilidade duradoura. Abr-10
[ 86 / 100 ] |
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CANDLEMASS - Death Magic Doom / 2009
Embora Robert Lowe tenha interpretado na íntegra «King of the Grey Islands», só durante a gravação deste novo trabalho é que as canções foram verdadeiramente compostas a pensar nas suas capacidades vocais. Desta feita, nota-se que o estigma provocado por mais um abandono intempestivo por parte de Messiah Marcolin, o qual seguramente ensombrou o registo anterior, já não se revela de todo, sendo «Death Magic Doom» composto por um conjunto de temas que denotam uma postura mais confortável e confiante por parte do rejuvenescido quinteto sueco.
Sem o carisma do seu predecessor, é óbvio que a voz de Lowe é mais técnica e dinâmica, potenciando abordagens mais arriscadas e incursões em campos interditos até à data. Em termos instrumentais, sempre bem secundado por Mats "Mappe" Björkman, Lars Johansson preenche o álbum com algumas excelentes linhas de guitarra e grandes solos enquanto o baixo de Edling pinta paredes de groove ao longo de inspiradas composições. No entanto, o registo mais Heavy do vocalista americano, a falta de malhas verdadeiramente contagiantes, em conjunção com uma abordagem mais negra e veloz, afasta-os de forma significativa da atmosfera melancólica, épica e predominantemente Doom que sempre os caracterizou. Abr-09
[ 76 / 100 ] |
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CANNIBAL CORPSE - Evisceration Plague / 2009
Em linha com o que fizeram nos recentes «The Wretched Spawn» e «Kill», álbuns que de certa forma trouxeram uma dose de maturidade extra à carreira de um dos maiores baluartes da cena Death Metal mundial, os Cannibal Corpse celebram vinte anos de actividade, recorrendo sem contemplações à temática gore, desmembrando falsas moralidades e transformando-as em autênticos banhos de sangue.
Nesta 11ª incursão de estúdio, o quinteto americano combina velocidade e poder com passagens mais cadenciadas de forma sempre brutal e com um groove facilmente reconhecível. A muralha trituradora de riffs e solos esmagadores que se vai derramando ao longo de «Evisceration Plague», revela que Rob Barret e Pat O’Brien estão cada vez mais entrosados, enquanto George “Corpsegrinder” Fisher, com potentes descargas guturais e gritos lancinantes, vai expelindo vísceras de ódio. Embora o ataque maquinal de Paul Mazurkiewicz não seja do agrado de todos, Alex Webster como que compensa essa pequena debilidade rítmica com mais uma performance extraordinária, perfeitamente audível em cada espira deste suporte. E é na produção moderna de Erik Ruten que reside muito do labor que resulta no carácter letal e destrutivo deste disco. Fev-09
[ 78 / 100 ] |
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CRYSTALLINE DARKNESS - Melancólica Nostalgia / 2008 - Demo
Numa altura para arrumar ideias e propícia a algumas repescagens, a demo de estreia dos Crystalline Darkness, cujo lançamento remonta a Fevereiro último, tem também o seu lugar num ano recheado de lançamentos de grande valor, no underground luso.
Da mente do seu criador, passada para a fita de forma introspectiva e abstracta, ora entregue ao mais puro improviso, «Melancólica Nostalgia» encerra em si 4 temas de cariz ambiental, com tendências experimentais. Em termos sonoros, as composições vão percorrendo caminhos progressivos chegando a roçar o tom black metal avant-garde de bandas como Lurker of Chalice ou Leviathan. Enquanto Demoniac, sempre em português, utiliza a voz com sentimento e quase em agonia, lembrando a espaços o timbre de Adolfo Luxuria, Funeriis acompanha-o sentado na bateria, como que ausente. Nesta produção fria e crua, são os ambientes criados pelas cordas que sobressaem, num trabalho coerente mas a clamar por mais alguma diversidade.
Quando se aguardam desenvolvimentos, quer através de «Delírios», um split com os Pestilência, quer da 2ª demo, a banda prepara-se para exorcizar nostalgia, em pontuais apresentações a decorrer num futuro muito próximo. Aqui jaz a #003 de uma edição de 500 cópias a cargo da Herege Warfare Prod. Dez-08
[ 71 / 100 ] |
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CRADLE OF FILTH - Godspeed on the Devil's Thunder: The Life and Crimes of Gilles De Rais / 2008
Em plena vaga de expansão da música extrema, através de sonoridades nunca antes experimentadas, os Cradle of Filth conseguiram não deixar ninguém indiferente, criando diversos anticorpos, sendo o ódio visceral um dos sentimentos limite.
Com uma actividade discográfica avassaladora, entre Eps, singles, compilações e Dvds, chegam ao 8º álbum com nova abordagem conceptual, desta feita versando a vida ambígua de Gilles De Rais, após o espalhanço com «Thornography», álbum demasiado lento, direccionado para a MTV e assente numa pouco conseguida mistura Black/Thrash/Goth. Com novo baterista, Martin Škaroupka que faz aqui um trabalho soberbo, «Godspeed on the Devil’s Thunder» regressa à formula evidenciada em álbuns como «Midian» ou «Cruelty and the Beast», com a ajuda de temas memoráveis e onde a velocidade é uma característica dominante, ao longo de 70 minutos de intrincadas composições e poderosa produção de Andy Sneap. Por cima das incursões dos majestosos teclados, Paul Allender faz um notável trabalho ao nível de riffs enquanto Dani Filth revela um grande desempenho, coadjuvado pelas narrações de Bug Bradley e Sarah Jezebel Daeva. Aconselhável a edição dupla deste CD que vale pela excelente cover de «Into the Crypt of Rays» dos Celtic Frost. Nov-08
[ 84 / 100 ] |
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CANDLEMASS - Lucifer Rising / 2008 - EP
O rude golpe que poderia ter afectado irremediavelmente o percurso dos Candlemass, depois de um grande regresso em 2005, teria sido fatal se Robert Lowe tivesse acusado a gigantesca responsabilidade de substituir Messiah Marcolin. Felizmente a experiência e o carácter do vocalista texano chegam para se impor no seio do colectivo sueco, como se comprova neste EP, composto por 2 originais, a regravação de «Demons Gate» e ainda 9 grandes temas, entre clássicos e faixas do registo mais recente, registados num concerto em Atenas no ano transacto.
«Lucifer Rising» abre esta obra de forma enérgica e bem acelerada para os padrões mais tradicionais a que já nos habituaram, enquanto «White God» segue numa direcção bem mais doomica e cadenciada. Relativamente aos temas conhecidos, além da particularidade de incluírem a presença do vocalista dos Solitude Aeturnus e Concept of God, sem dúvida uma excelente forma de exorcizar alguns fantasmas ainda presentes, revelam uma formação muito coesa, competente e essencial para um panorama actual tão mal tratado com projectos mercantilistas, bandas de sucesso efémero e toneladas de agrupamentos de duvidosa qualidade.
É sempre bom ouvir este Heavy Metal bem tocado, mesmo atravessando uma fase mais acinzentada. Nov-08 [ 77 / 100 ] |
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