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BEFORE THE RAIN - Frail / 2011
Foram necessários quatro pesarosos anos para que o 2º álbum de originais dos setubalenses Before the Rain visse finalmente a luz do dia, embora “luz” não seja um substantivo muito apropriado para descrever esta obra, mas adiante. Apesar de algum secretismo temporal a rodear a substituição de Carlos Borda D'Água, o vocalista de serviço desde os seus primeiros dias, a banda ainda sofreu novas alterações, como a entrada de Carlos Monteiro para coadjuvar Valter Cunha nas guitarras e de Joaquim Aires para o lugar de baterista, apesar de serem músicos já com um passado relevante.
«Frail» mantém a ambiencia soturna e melancólica dos registos anteriores, incutindo-lhes maior complexidade e subtileza, à custa de uma melhor estratificação de sonoridades e rigor na composição. Ao longo de 6 temas arrastados, dramáticos e megalíticos, a performance de Gary Griffith dos infelizmente extintos Morgion, proporciona uma diversidade adicional ao conteúdo final, fortalecendo os momentos agressivos e incutindo uma maior categoria às componentes mais aveludadas.
Gravado na Fábrica do Som e produzido pelo próprio Valter Cunha, misturado em Inglaterra e masterizado por Jens Bogren, eis-nos perante mais um manancial de pesar, uma ode ao abandono e um legado à dor. Set-11
[ 83 / 100 ] |
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BURZUM - Fallen / 2011
Esta terceira encarnação dos Burzum, ou de Varg Vikernes se preferirem, emana o carisma que a banda transmitia antes do encarceramento, misturado com alguns dos ambientes mais atmosféricas que Varg se viu limitado a compor durante os anos de cativeiro, com o pouco material admitido no estabelecimento prisional. Depois do aclamado «Belus» que trouxe novamente os Burzum para a linha da frente, sem perder muito tempo e já anunciando uma série de outros novos trabalhos, «Fallen» é um disco que lhe segue as pisadas, mas de forma mais directa e acessível.
Este 8º trabalho de originais, em 2 décadas de existência, é o primeiro a ver a luz sem que o seu mentor esteja envolto em grandes polémicas e, talvez por isso mesmo, fica desde logo longe do impacto que qualquer um dos outros possa algum dia ter conseguido. A procura de linhas mais melódicas, o franco recurso a vocalizações mais limpas e coros mais envolventes contrastam com uma produção suja e algumas passagens mais hipnóticas, num álbum claramente mais direccionado para o conceito de canção. Por vezes, a voz como que desaparece por trás da cortina de neblina sonora, criando-se um ambiente de enganosa fragilidade, algo que já conhecemos faz muito tempo. Mar-11
[ 78 / 100 ] |
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BELPHEGOR - Blood Magick Necromance / 2011
A entrada numa editora com a dimensão da Nuclear Blast e a parceria com um produtor de eleição como Andy Classen trouxeram aos Belphegor uma sonoridade mais encorpada e poderosa, mais acessível a um vasto auditório e um reconhecimento longe se imaginar possível desde que a banda austríaca desatou a blasfemar o mundo cristão e os seus meandros religiosos. No entanto, esse upgrade alterou algumas das suas características genéticas, perdendo-se parte do carisma e atitude.
Apenas com Serpenth como parceiro, baixista que o acompanha desde 2006, ao qual se juntam alguns membros de sessão, Helmuth entrega-se afincadamente a este novo opus, onde não faltam devastadores blastbeats e riffs brutais, num misto de insanidade e agressão Black/Death mas onde a orientação melódica não se desvanece. Embora avassalador e rápido, «Blood Magick Necromance» revela-se ao longo de 8 temas diversificados, colocando-o em termos de sonoridade geográfica numa latitude mais a leste do que seria desejável. A gravação efectuada nos Abyss Studios pelas mãos de Peter Tägtgren não é alheia a esta recuperação de fôlego, num triunfal retorno ao convento com o claro objectivo de derramar sobre o sangue sagrado uma mescla infiel e conspurcada de pura blasfémia. Fev-11
[ 78 / 100 ] |
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BORKNAGAR - Universal / 2010
A entrada de Vintersorg trouxe aos Borknagar uma dinâmica que a cada álbum os foi transportando para fora da aura Black Metal existente nos trabalhos iniciais, enveredando por uma faceta mais cósmica e clássica que acaba por pouco diferir daquilo que o vocalista sueco e Øysten G. Brun já fazem no projecto Cronian.
«Universal» não é no entanto um retrocesso, ainda que ICS Vortex apareça para nos saudar em «My Domain», mantendo uma vincada veia progressiva, onde as melodias em crescendo se vão destacando, a faceta acústica potencia os momentos mais poderosos enquanto que a diversidade explanada ao longo dos temas se revela em pequenos pormenores, no papel atribuído ao som saído do orgão Hammond, nas incursões rítmicas, guturais agressivos, resquícios de emotividade ou devaneios de experimentalismo. Em termos estilísticos este 8º álbum não destoa dos anteriores mas não evita as abordagens mais pesadas, segmentos de post-Black derramados nas evidentes influências Avant Garde e Viking / Folk dos seus elementos, que à excepção do guitarrista Jens F. Ryland, possuem um passado conhecido e inquestionável dentro do movimento. Embora curto, a complexidade deste registo exige uma série de abordagens atenciosas, uma vez que não é fácil a sua assimilação. Mar-10
[ 82 / 100 ] |
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BURZUM - Belus / 2010
Varg Vikernes é um nome que nos dá de imediato uma irresistível vontade de gastar inúmeras linhas a dissertar sobre fogo posto em igrejas milenares ou no número de facadas que levou o pobre do Euronymous no lombo. Obviamente que os 15 anos que passou na prisão, excluindo o anedótico dia em que se pôs em fuga, acabaram por ter um impacto negativo na carreira dos Burzum, limitados a partir daí a dois álbuns ambientais por lhe ter sido negado o uso de guitarras em pleno cárcere.
Não é pois de admirar que «Belus», álbum que esteve para se chamar provocadoramente «The White God», seja uma continuação dos trabalhos que gravou, num curto espaço de um ano, entre o auto-intitulado disco de estreia e «Filosofem», sendo esse retrocesso temporal de aproximadamente 17 anos uma das maiores surpresas para quem estaria à espera de temas abstractos ou demasiado atmosféricos e que esbarra numa intensidade crua, espessa e negra como se «Hvis Lyset Tar Oss» e o próprio «Filosofem» se fundissem num só. Em termos de produção «Belus» está a milhas de todos os outros, oferecendo-nos 8 malhas mais direccionadas para as lancinantes guitarras em detrimento das teclas e tonalidades repetitivas, num manancial de paganismo, odes à natureza e ao encontro de mitos proibidos. Mar-10
[ 89 / 100 ] |
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BELPHEGOR - Walpurgis Rites - Hexenwahn / 2009
O Blackened Death luxuriante dos Belphegor começou a ganhar contornos mais majestosos a partir de «Lucifer Incestus», álbum que levaria o colectivo austríaco a integrar a lista de aquisições da poderosa Nuclear Blast, associação essa que os colocou desde logo perante um número significativamente maior de acólitos, proporcionando-lhes melhores condições de promoção e orçamentos mais avultados.
Pela terceira vez consecutiva com produção de Andy Classen, cristalina mas menos polida como convém, todas as composições estão a cargo de Helmuth em dupla com o baixista Serpenth, único elemento que acompanha o líder desde o álbum anterior, revelando uma nova série de temas onde blasts estonteantes dão o mote a descargas imparáveis de leads e riffs envolvendo vocalizações e grunhidos que destilam veneno. Após um inicio prometedor, «Walpurgis Rites – Hexenwah» vai-se tornando redundante, perdendo em confronto com os seus predecessores uma vez que lhe falta intensidade e aquela sensação irreligiosa, a transbordar pura blasfémia. Mesmo mantendo incursões Doom e toadas industriais, nem o tema escolhido para um vídeo esteticamente aberrante e a soar a Rammstein por todos os poros, se revela suficientemente forte para salvar um disco menos conseguido. Out-09
[ 74 / 100 ] |
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BEHEMOTH - Evangelion / 2009
Os álbuns mais recentes dos polacos Behemoth, embora pouco diversificados entre si, graças à utilização de produções poderosas e uma forte inclinação para o Death Metal mais extremo, em detrimento das raízes Black, vão seguindo uma direcção estruturada, coerente e com resultados de sucesso comprovados.
Ao 9º álbum de originais o quarteto, contando com Seth que coadjuva Nergal em vertiginosos devaneios de riffs e solos imbricados de técnica, apresenta-se com um grande desempenho, através de 9 temas intensos e devastadores. A máquina de guerra que se desenha por baixo de Inferno, um massacre de blasts e múltiplas batidas, percorre «Evangelion» com precisão cirúrgica, sendo tudo perfeitamente audível graças a uma produção exemplar, ou não estivesse Colin Richardson, entre muitos outros, atrás dos botões que fazem milagres. Para que as autoridades locais não se esqueçam das restrições impostas recentemente à banda, numa luta hipócrita contra o satanismo, eis-nos perante um front-man completamente passado, desta feita com menos recursos aos efeitos de estúdio e que de uma forma natural vai rasgando cada espira de um disco onde «Lucifer», numa direcção mais épica e pautada, vai contrariando a aniquilação total imposta pelas restantes malhas. Ago-09
[ 81 / 100 ] |
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BLOODBATH - The Fathomless Mastery / 2008
Se a entrada de Peter Tätgren para o lugar de Mikael Åkerfeldt potenciou o som dos Bloodbath numa direcção mais brutal, flectindo muita da sonoridade para o outro lado do atlântico, o retorno do líder dos Opeth adensa ainda mais essa faceta, relegando quase que definitivamente para segundo plano a influência Entombed que ostentavam desde o inicio. Após um interregno de quatro anos e já com Per “Sodomizer” Eriksson no lugar de Dan Swanö, o quinteto regressa ao activo com 3 suportes áudio, o EP com 4 novidades intitulado «Unblessing the Purity», a gravação de 2005 colocada em «The Wacken Carnage» e este terceiro álbum de originais.
Com as composições divididas entre Anders Nyström, Jonas Renkse e Eriksson, Åkerfeldt apenas contribui na parte lírica de 3 faixas, a sonoridade apresentada em «The Fanthomless Mastery» invade terrenos anteriormente percorridos ao de leve, chegando a roçar o plágio em temas como «Mock the Cross», onde parecem ter reencarnado os Morbid Angel. Infelizmente o restante não revela também muita identidade, ficando-nos a nítida sensação de que nada de muito memorável aconteceu, embora a qualidade de cada componente seja mais do que evidente. No futuro, ver-se-á se a banda não deixou todos os seus créditos na Century Media.
Nov-08
[ 76 / 100 ] |
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